Atenção: O texto a seguir serve de base para as questões de 1 a 5.
Meu avô guardava, numa gaveta da cômoda, cadernos de capa dura em que anotava tudo: o preço do café, o dia em que plantou a mangueira, o nome do médico que lhe receitou um xarope amargo. Quando criança, eu achava aquilo uma mania de velho; hoje desconfio que era uma forma discreta de sabedoria.
Vivemos cercados de memórias que não precisamos carregar. O celular lembra os aniversários, o aplicativo registra os passos, a nuvem armazena milhares de fotografias que raramente revisitamos. Nunca se guardou tanto, e talvez nunca se tenha lembrado tão pouco. A memória, entregue às máquinas, tornou-se um depósito vasto e silencioso, ao qual recorremos apenas quando algo nos falta.
Não se trata de condenar a tecnologia, que nos poupa de esforços inúteis e nos devolve horas preciosas. Contudo, há uma diferença entre consultar e lembrar. Quem consulta obtém a informação; quem lembra a reconstrói, e, ao reconstruí-la, acrescenta-lhe sentido. O caderno do meu avô não era um arquivo: era uma conversa que ele mantinha consigo mesmo.
Talvez por isso eu tenha voltado a escrever à mão algumas linhas por dia. Não espero que elas sobrevivam a mim, nem que alguém as leia. Basta-me a pequena cerimônia de escolher as palavras, como quem escolhe, entre as frutas da feira, aquelas que merecem ir para casa.
(Texto elaborado especialmente para este simulado)
Depreende-se corretamente do texto que o autor
- A) rejeita o uso de recursos digitais de armazenamento, por considerá-los responsáveis pelo empobrecimento intelectual das novas gerações.
- B) atribui ao hábito do avô um caráter meramente excêntrico, opinião que mantém desde a infância até o momento em que escreve.
- C) distingue o simples acesso a dados, facilitado pela tecnologia, do ato de lembrar, que envolve uma reelaboração pessoal daquilo que se viveu.
- D) defende que a escrita à mão só tem valor quando produz registros destinados à leitura e à preservação pelas gerações futuras.
- E) considera que a memória digital, por ser vasta, substitui com vantagem a memória pessoal em todas as situações cotidianas.
Atenção: Para responder a esta questão, considere o texto apresentado na questão 1.
Em Nunca se guardou tanto, e talvez nunca se tenha lembrado tão pouco, o autor se vale principalmente de
- A) antítese, ao contrapor a quantidade de registros armazenados à escassez da lembrança efetiva.
- B) eufemismo, ao suavizar a crítica dirigida aos fabricantes de aparelhos eletrônicos.
- C) metonímia, ao empregar o verbo “guardar” no lugar do objeto em que as memórias são guardadas.
- D) hipérbole, ao exagerar o número de fotografias que os usuários de celular efetivamente revisitam.
- E) pleonasmo, ao repetir a mesma ideia com palavras diferentes para reforçar o argumento.
Atenção: Para responder a esta questão, considere o texto apresentado na questão 1.
Mantendo-se o sentido e a correção, o termo Contudo, no terceiro parágrafo, pode ser substituído por
- A) Portanto
- B) Porquanto
- C) Conquanto
- D) Outrossim
- E) Todavia
Atenção: Para responder a esta questão, considere o texto apresentado na questão 1.
Em quem lembra a reconstrói, e, ao reconstruí-la, acrescenta-lhe sentido, os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a
- A) “memória” e “quem”.
- B) “informação” e “quem”.
- C) “diferença” e “informação”.
- D) “informação” e “informação”.
- E) “tecnologia” e “memória”.
Atenção: Para responder a esta questão, considere o texto apresentado na questão 1.
Transpondo-se para a voz passiva a oração O celular lembra os aniversários, obtém-se, com correção e sem alteração do tempo verbal:
- A) Os aniversários é lembrado pelo celular.
- B) Os aniversários são lembrados pelo celular.
- C) Lembra-se os aniversários pelo celular.
- D) Os aniversários foram lembrados pelo celular.
- E) O celular é lembrado pelos aniversários.
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